“(…)
Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo
a viajar, a surpreender
a tormentosa vida do homem
e a esperança a brotar das cinzas.”

Diante das Fotos de Evandro Teixeira – Carlos Drummond de Andrade

Não é só de fotografia bonitinha que vive o mundo, não é mesmo?

Ontem eu tive uma aula de fotojornalismo, e o professor passou um DVD que contava a história desse fotógrafo incrível! Para ser sincera, eu não o conhecia (até ontem), e hoje posso dizer que ele é um dos meus fotógrafos favoritos. Gosto muito de fotojornalismo, as fotos tiradas para esse propósito sempre têm uma história por trás, que pode ser linda, mas também pode ser triste (cêjura?), hehe.

Evandro Teixeira fotografou para o Jornal do Brasil, o Cruzeiro, e alguns jornais da Bahia, onde tudo começou. Sua carreira de quase 50 anos tem como temas os golpes militar do Brasil e Chile, as manifestações de estudantes, Copas do Mundo, Olimpíadas, se aventurou também no mundo da moda, e fez um trabalho maravilhoso sobre Canudos (que estou me coçando para ir atrás do livro, mas é difícil de achar).

Eu sou muito fascinada pelo Brasil durante a Ditadura. Fascinada não seria um termo bonito, mas não encontro uma palavra melhor para descrever o meu interesse pelo assunto. E Evandro Teixeira esteve lá, registrando todos os momentos daquele período.

Uma de suas fotos deu origem a um projeto audacioso e incrível! Durante uma passeata contra a Ditadura no Rio de Janeiro, em 1968, a Passeata dos 100 mil, Evandro Teixeira fez uma foto da multidão de estudantes, e no topo da foto havia um cartaz com os dizeres “Abaixo a Ditadura. O povo no poder”. Na época essa foto não foi selecionada para circular nos jornais, porém tempos mais tarde acabou sendo selecionada para entrar no primeiro livro de Evandro, em 1983. Ao manusear a foto, um casal acabou se identificando e a partir daí começou a busca por aqueles que participaram da Passeata, originou-se, então, o livro “68 destinos. Passeata dos 100 mil“, lançado em 2008, ano em que a Passeata fez 40 anos. Esse livro reúne 100 pessoas que foram “refotografadas” pelo Evandro na Candelária, e lá contam sua história de como e por quê participaram da Passeata. Inspirador, não é mesmo?!

Evandro Teixeira inovou o fotojornalismo. Ele conseguia capturar momentos que ninguém na época ousava em fazer. A Rainha sentando no carro, é um bom exemplo do que quero dizer. Ayrton Senna piscando, também não era uma foto comum de se ver nas revistas e jornais, mas era isso que Evandro fazia (faz), e não há nada no mundo que apague essas memórias incríveis deixadas por ele.